Se você tem um objetivo, não gaste suas energias justificando cada passo.
 
(Paulo Coelho)

Ao Deus da minha vida

Ao Deus da minha vida


Acolheste-me em tua hospedaria.
Porque fui alvo de tua deferência, cuidam do meu corpo moído.
Ressoam as canduras que me segredaste enquanto caminhamos.
Não preciso mortificar a minha mente exausta.
Não tenho que quitar dívida.
Cego para a minha vilania, és magnânimo.
Delicado com o meu passado, mostras o tamanho da tua discrição.
Sem relutar, achega-te.
Mesmo com muitas alternativas, decides ajudar-me a florescer.
Não medes esforços para te revelares.
Nunca te esquivas de meu olhar suplicante.
Continuas a falar-me através dos violinos, das flautas, dos realejos.
Percebo a tua simpatia no sorriso das crianças.
Moras no absoluto silêncio, mas nunca me deixas sem intuir a tua presença.
Sinto o teu fôlego na brisa.
Noto o teu luto no sol que se desmancha em trevas todas as tardes.
Percebo tua companhia em meus desassossegos insones.
Escutei-te na derradeira e trágica hora em que me despedi de pessoas amadas.
Não, não reclamo que te mantenhas escondido.
Porque és manso e humilde, encontro descanso para a minha alma.
Caminhas comigo uma segunda milha.
Perco a conta dos teus perdões.
Aceitas meu perfume sobre a tua cabeça.
Sem rotas, te elejo o caminho.
Sem certezas, faço de nosso relacionamento a verdade.
Sem neurose ou fantasia, considero-te o meu modelo de vida.
Transformas meu resguardo em audácia; meu arrojo, em cautela; meu atrevimento, em prudência; minha timidez, em fibra.
Animas o meu cotidiano.
Estimulas o meu enfado.
Pacificas a minha afoiteza.
Eu, fujona, aprendo resiliência contigo.
Trêmula, encaro os dias maus porque me vestes com a tua armadura.
Apesar de petrificada com temores infantis, tua compaixão me constrange a continuar.
Em ti cabem todos os elogios: esplêndido, nobre, sublime, majestático.
Abano palmas, grito aleluias, quero que o mundo saiba que és notável.
Auréolas, halos, incensos, vivas, tornam o entorno de teu trono o espaço mais sagrado do universo.
Tu não constas em hierarquias; não cabes em definições; transbordas os limites.
Meu ser se agita e minha língua trepida, só de pensar que sou alvo de teu interesse.
Despertas o meu fervor.
Aqueces a minha pele.
Condimentas a minha alegria.
Serena, lembro que és amor.
Segura, busco refazer-me.
Já não temo rancores teus.
Mesmo inadequada, recebi o anel da tua nobreza.
Ilustro o meu brasão com a tua boa vontade.
Todas as medalhas que carrego no peito provam a tua concórdia.
Santificaste em mim.
Meu coração é a tua tenda, meus pés, as tuas passadas e as minhas mãos, o teu toque.
Resta-me sussurrar: Muito obrigada!
(Desconheço a autoria)


*Resiliência é a capacidade concreta de retornar ao estado natural de excelência, superando uma situação critica.



Os erros do passado

Durante uma viagem, Buda encontrou um yogue apoiado numa perna só.
“Queimo os erros do meu passado”, explicou o homem.
“E quantos erros já queimou?
“Não tenho a menor idéia”.
“E quanto falta queimar? “insistiu Buda.
“Não tenho a menor idéia.”
“Então é hora de acabar com isto. Pare de pedir perdão a Deus, e e vá pedir perdão a quem voce feriu.”